Dos Andes, ele nasce pequenino,
Depois o Madeira é pujança e canto,
Levando no seu seio o eterno encanto,
Das águas que abraçam seu destino.
Seu curso, outrora livre, era altivo,
Um gigante a cantar seu próprio pranto,
Mas hoje sofre o peso do quebranto,
Do garimpo voraz, da draga, cativo.
As usinas, com suas mãos de aço,
Aprisionam-lhe a alma, a voz, o passo,
E o rio, outrora rei, agora geme.
Que futuro terá essa corrente,
Se a ganância, insistentemente,
Transforma vida em morte e o espreme?
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