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quinta-feira, janeiro 22, 2026

VIVER-MORRER

 

          Disse Utnapishtim:

Nada permanece. Será que construímos uma casa para ficar para sempre, será que selamos um contrato para que valha em todos os tempos? Dividem os irmãos uma para guardarem para sempre, perdurará o tempo da inundação dos rios? Só a crisálida da libélula é que solta a sua larva e vê o sol na sua glória. Desde os dias antigos que nada permanece. Que semelhantes são aos mortos os que dormem – são como uma morte pintada!

Gilgamesh – Épico sumério

Nascer é lançar-se a um abismo desconhecido, abrir-se à morte que caminha conosco. Cada dia vivido aproxima o fim, mas também amplia a experiência. Sobrevivemos por meio dos filhos, das obras, dos gestos que permanecem como memória compartilhada. Morrer cedo pode parecer um bem, fuga do desgaste, contudo viver é precioso justamente por ser transitório. A vida, incógnita radical, nos joga no reino das possibilidades e da escolha. Por isso, diariamente, devemos penetrar o mundo com sensibilidade, pensá-lo com cuidado, agir com responsabilidade, sabendo que tudo passa, mas nada vivido é inútil, quando lembrado, partilhado, assumido, sentido, narrado com verdade.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eita, mano! Que bela reflexão e partilha! Realmente, a vida é uma caixa de surpresas mistas. Creio que as boas são para nos dar prazer. As ruins, pra nos experimentar e fazer-nos crescer, se soubemos aproveitá-las para o nosso bem e para o bem dos que nos cercam. GRATIDÃO,e um caloroso e fraterno abraço AMAZÔNICO

Adailtom Alves disse...

Há braços!